Atleta em Destaque – Ana Paula Carnielo Almeida

Nome, idade e profissão:
Meu nome é Ana Paula Carnielo Almeida. Tenho 34 anos e sou Analista de Projetos e Sistemas.

Quando e como veio a decisão de fazer os 50K da XC Itaipava?
A escolha de qual seria a minha primeira Ultramaratona foi algo muito bem planejado. Junto com o meu treinador Marcio Pierri pesquisamos algumas Ultras, analisamos os seus percursos, as organizações e os depoimentos de atletas. Quando eu visualizei na internet a XCRUN Itaipava, o seu percurso lindo e desafiador, e a sua marca “Redefina os seus limites”, eu não tive dúvidas de que esta seria a minha primeira Ultramaratona.

Os treinos para esta prova se misturaram com os treinos para a Maratona?
Sim. Utilizei não só os treinos para a Maratona, como a própria Maratona do Rio de Janeiro no planejamento de treinos para a Ultramaratona. E utilizei também várias corridas em trilhas, como as etapas Ilha Grande e Sana do Circuito de Corridas de Montanhas, XTerra Mangaratiba e WTR Arraial do Cabo.

Foi complicado, foi bom? Qual o sentimento?
Foi uma mistura de sentimentos, complicado e ao mesmo tempo muito bom. Complicado porque eu tive que ter bastante atenção para não queimar etapa, ou seja, conseguir colocar tempo de recuperação suficiente entre os treinos sem deixar de realizar todos os treinos necessários. E muito bom porque eu estava realizando um grande sonho.

Ao completar a Maratona, nos dias depois da prova, sua decisão de fazer esta prova se consolidou? Por quê?
Sim, porque em minha mente eu tinha a certeza de que estava indo no caminho certo, com treinos, alimentação e descanso necessário. E a paixão pelas corridas de longa distância se consolidava ainda mais.

Há quanto tempo alimenta a vontade de fazer uma ultra trail?
O desejo de realizar a Ultramaratona começou em 2014, após realizar a Maratona do Rio de Janeiro, minha primeira Maratona. E o que era um sonho, passou a ser um projeto, com planejamento, utilização dos recursos necessários, cronograma de treinos para seguir e monitoramento do desempenho.

Como foi a prova? Quais as principais dificuldades?
A prova foi difícil, mas o lindo percurso compensou os obstáculos. As principais dificuldades que encontrei foram: um rio para ultrapassar por volta do km 11, em que precisei trocar as meias quando cheguei no ponto de parada; saber administrar bem o que eu deveria comer durante o percurso, pois no km 30 eu comecei a ficar enjoada com o gel de carboidrato, mas com água tônica consegui contornar esta situação; e a altimetria bastante elevada após o km 40, com o corpo já pesado tive que me concentrar para não perder o foco.

Foi mais dura do que pensou?
Eu já imaginava que seria difícil, porque não sabia como seria ultrapassar a barreira dos 42 km. Mas o que a tornou mais dura do que eu pensava foi a altimetria de 1200 que eu precisava percorrer após o km 40. Foi neste momento que o corpo ficou pesado, mas em nenhum momento eu pensei em desistir. Por alguns instantes eu fechei os meus olhos e mirei o meu objetivo que era o de cruzar a linha de chegada, e assim eu mantive o foco.

E agora, existe vida depois de uma ultramaratona? Como será?
Sim. Consegui ir para o trabalho muito bem na segunda-feira após a corrida, sem lesões. Por uns três dias fiquei como se estivesse nas nuvens, demorou para cair a ficha do que tinha acontecido. O desejo de realizar outra corrida como a de Itaipava já começou no instante em que cruzei a linha de chegada. A primeira coisa que veio em mente foi: “quero voltar aqui no próximo ano”.

Novos planos?
Com certeza. Tenho uma lista de Ultramaratonas que pretendo fazer, nacionais e internacionais. Cada corrida tem sido como um degrau em que estou subindo em direção às Ultras.

Já falou sobre eles com seu treinador?
Sim, ele gostou das minhas ideias e irá me ajudar a planejá-las da melhor maneira possível. Muitos podem pensar que a corrida é um trabalho sozinho, que basta realizar os treinos, mas para cruzar a linha de chegada bem, tem todo um trabalho em conjunto que envolve assessoria esportiva, treinamento funcional, nutrição esportiva, ortopedia, fisioterapia, cardiologista esportivo e musculação.